EM NOSSOS PASSOS O QUE FARIA JESUS?

O título da pastoral de hoje é bem parecido com o livro considerado clássico evangélico e que foi escrito por Charles Sheldon chamado: “Em meus passos o que faria Jesus”. Na verdade, uma boa maneira de avaliarmos se estamos no caminho certo em relação a nossa vida, em nossa relação com Deus e com os outros é fazendo a pergunta a si mesmo: “Em meus passos o que faria Jesus?”. Que tipo de ambientes frequentaria? Que tipo de conversa teria? Quais amizades valorizaria? Em que gastaria o seu tempo? Quais seriam as suas prioridades? Os interesses primordiais da sua agenda? Como se portaria vivenciando as minhas dificuldades? E por aí vai.

Sabemos que Jesus Cristo mostra como Deus é e como o homem deve ser. Jesus bem ensinou a seus discípulos que se quisessem ver a Deus deveriam olhar para ele (João 14.9). Ou seja, quer compreender o amor de Deus, olhe para Cristo. Deve ficar claro que essa compreensão é limitada por conta da nossa humanidade. Mas isso não impede que sejamos alcançados por tal amor. Quer compreender a compaixão de Deus para com os pecadores, olhe para as ações de Jesus. Quer perceber a graça divina, olhe para Jesus. Quer vivenciar a vida plena, permita que a vida de Jesus tome a sua própria vida e se torne a sua própria vida. Enfim, Jesus é o nosso alvo, é nosso foco (Hebreus 12.2), é a nossa luz, é a nossa vida (João 1.4).

Por isso quando Paulo escreve aos filipenses, assim diz: “tende o mesmo sentimento que houve em Cristo” (Filipenses 2.5). E Jesus conclamando seus discípulos a o seguirem, disse-lhes: “vinde após mim” (Lucas 9.23). Em outras palavras, Jesus está dizendo, sigam os meus passos, as minhas pegadas, permaneçam no meu caminho. E Paulo exortando a igreja de Filipo vai por essa linha, convocando-os para viverem de acordo o mesmo sentimento que houve em Cristo, quando se fez carne para trazer salvação.

Apesar de saber que Jesus é o Maravilhoso-Senhor-Salvador-Mestre-Amigo-Fonte de toda vida, algo me intriga – por que as igrejas, que em tese são formadas pelos discípulos atuais de Cristo, muitas vezes se afastam dos passos do Seu Senhor? Por que perdem seu tempo correndo atrás do nada? Por que investem seu dinheiro em coisas que não condizem com o Reino? Por que tanta intolerância para com o próximo? Por que tanto desamor? Por que tanto descaso para com a vontade divina? Por que tanta indiferença? Insensibilidade? Irreverência? Desleixo? Despreocupação com a causa de Cristo? Sinceramente, isso me incomoda muito, entristece-me profundamente. Kyrie Eleisson.

J. Scott Horrell que é professor de teologia em Dallas Theological Seminary em seu livro A essência da Igreja conta uma historinha que pode nos ajudar a entender melhor os questionamentos acima. Ele fala sobre um naturalista francês que ao estudar um grupo de lagartas, conduziu-as até a borda de um grande vaso. Ele uniu a última lagarta à primeira, formando um círculo vivo sem fim. Ele supôs que, depois de algum tempo, as lagartas se cansariam daquela marcha repetitiva, quebrariam o círculo inútil e partiriam para uma nova direção. Esse, entretanto, não foi o caso. As lagartas continuaram, hora após hora, dia e noite, na mesma velocidade em sua caminhada inútil. Mesmo com comida por perto elas não pararam, não mudaram a tragetória, permaneceram na mesma rotina que acabou se transformando numa marcha para a morte. Longe de mim, querer comparar os seres humanos com lagartas, mas é preciso aceitar que em vários casos, muitas igrejas parecem estar seguindo os mesmos passos das lagartas em círculo, caminhando, sem perceber para a ruína.

Diante disso, só nos cabe uma possibilidade – obedecer a Jesus Cristo. Seguir seus passos como igreja. E sentir seus sentimentos diante da vida. Saiba que aquilo que fazemos revela quem nós somos. Por isso meu convite a você é: que juntos, em humildade, em oração, em singeleza de coração busquemos ao nosso Deus com toda sinceridade, com atenção à Sua Palavra para que a adoração em nosso meio seja legítima, o aprendizado de Cristo em nós seja eficaz, que a comunhão seja verdadeira e a missão de ser luz possa ser de fato cumprida. Creio que agora você já pronto para responder: “em nossos passos o que faria Jesus?”. Que Deus, Aquele que efetua em nós tanto o querer como realizar, nos ajude a caminhar nos passos do Mestre. E que assim seja!

Pr. Laurencie
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